Para mim não há maior prisão do que aquela em que nos fechamos em nós mesmos. Chamam-lhe depressão, alguns, eu prefiro chamar-lhe solidão. Até há bem pouco tempo pensava que a coisa mais cruel que nos poderia acontecer seria estar simultaneamente perto da vida…e perto da morte.
Levantei-me na correria de sempre, ainda atordoada pelo embalo de mais uma noite mal passada. Naquela manhã de sol, como em todas as outras, eu desejava que os meus sonhos deixassem de o ser, tal como até à data o eram.
Vesti os primeiros jeans que encontrei, uma t-shirt branca e umas sandálias de meia cunha que cortavam o ar excessivamente casual. Faltavam quinze minutos para a minha hora de entrada e tinha ainda cerca de uma hora de viajem para enfrentar. Tomei o pequeno-almoço já na azáfama de todo aquele trânsito matinal.
Virei a face para o outro lado para evitar o transeunte cheiro do homem que se esticava para se segurar no meio da gente que enchia o autocarro. Pela janela, deparei-me com o aquele estado de mente que me é propício e com o qual observo os demais. Pessoas tão diferentes, pensei para mim.
Às vezes não tenho a certeza do que eu mesma sou, certezas ninguém as tem e, no entanto, ninguém duvida…e sou uma mulher e sou um homem e sou uma criança e um velho crescido, sou ditador, polícia, governador...na verdade? Julgo, por ser jovem, que sou bandida...
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