terça-feira, 20 de setembro de 2011

«O Gravador da Morte»

Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009


Escritora Sara Bonvalle lança "O gravador da Morte"

Depois de publicar " Pedra dura - A consagração dos Dez Mandamentos", um livro sensível e tocante sobre África que nos fala do sofrimento, da guerra e da pobreza de quem tudo perdeu até o sentido da esperança e o papel das seitas religiosas e que ainda por cima tem uma capa lindíssima, Sara Bonvalle lançou em Dezembro passado um novo livro, "O gravador da Morte" que nos conta o que pode acontecer quando subitamente a vida é virada de pernas para o ar; uma escrita pura sem artificialismos, emotiva e fluida. Ela vai estar na livraria Bertrand do Dolce Vita Antas-Porto no próximo Domingo dia 18 de Janeiro às 17 horas para uma sessão de autógrafos, passem por lá!



«O Gravador da Morte»

Apresentado livro de Sara Bonvalle

Decorreu no sábado, dia 14 de Fevereiro, a apresentação do livro "O Gravador da Morte" de Sara Bonvalle. Esta apresentação esteve a cargo do jornalista e director da Defesa de Espinho, Lúcio Alberto.

O Gravador da Morte é um romance que conta a história de um advogado que, depois de um acidente de viação provocado por ele, e que durante a convalescença, tenta encontrar junto da criança que morreu por sua causa, o perdão necessário para a morte não o levar também.


Sara Bonvalle nasceu no Porto, em 1981. Aos 11 anos ganhou referência com o seu primeiro poema e aos 14 anos foi premiada com «Revelação Poética» pela Rádio de Gondomar, cidade onde cresceu e vive actualmente. Lançou o seu primeiro livro intitulado Pedra Dura - A Consagração dos Dez Mandamentos em Novembro de 2007 e em 2008 participou na antologia poética De Luz e de Sombra.

«Tentei desabafar contigo aquele meu aperto, mas estavas demasiado ocupado para me prestar atenção. Acordei e ousei querer agarrar a vida de uma outra forma, sem estar dependente de ti e foi aí que me encaraste como louca por não perceberes o motivo que me levou a suspirar tão fundo. Queria viver muito, mas principalmente e acima de tudo desejei morrer.
Quis partir para que notasses a diferença entre o antes e o depois de eu já não estar viva. Não me faltou o ar, faço questão de que saibas que fui eu, de livre vontade, que decidi e premeditei cortar os meus próprios laços mendigos da respiração. Preferi morrer a viver transparente sob os teus olhos, porque tu não sabias o que era o amor e agora também é tarde demais para o saberes.»

In «O Gravador da Morte»

Eu quero ser



Eu quero ser mais e mais além!
Falar com gritos, estremecer.
Não quero sobras, desdém…
Quero adrenalina, quero correr!

Eu quero voar mais pra longe,
Não ser virgem, alma pura…
Não amo a freira ou o monge,
Quero ser forte, mais dura!

Quero chagas, cicatrizes!
Ter paixão, muitos amores…
Ser rainha das meretrizes,
Sofrer com todas as dores!

Não quero ser parecida,
Quero patente…quero marca!
Não ter ordens, ser vencida…
De seres iguais estou farta, farta!

«A Mar é possível»

Para mim não há maior prisão do que aquela em que nos fechamos em nós mesmos. Chamam-lhe depressão, alguns, eu prefiro chamar-lhe solidão. Até há bem pouco tempo pensava que a coisa mais cruel que nos poderia acontecer seria estar simultaneamente perto da vida…e perto da morte.
Levantei-me na correria de sempre, ainda atordoada pelo embalo de mais uma noite mal passada. Naquela manhã de sol, como em todas as outras, eu desejava que os meus sonhos deixassem de o ser, tal como até à data o eram.
Vesti os primeiros jeans que encontrei, uma t-shirt branca e umas sandálias de meia cunha que cortavam o ar excessivamente casual. Faltavam quinze minutos para a minha hora de entrada e tinha ainda cerca de uma hora de viajem para enfrentar. Tomei o pequeno-almoço já na azáfama de todo aquele trânsito matinal.
Virei a face para o outro lado para evitar o transeunte cheiro do homem que se esticava para se segurar no meio da gente que enchia o autocarro. Pela janela, deparei-me com o aquele estado de mente que me é propício e com o qual observo os demais. Pessoas tão diferentes, pensei para mim.
Às vezes não tenho a certeza do que eu mesma sou, certezas ninguém as tem e, no entanto, ninguém duvida…e sou uma mulher e sou um homem e sou uma criança e um velho crescido, sou ditador, polícia, governador...na verdade? Julgo, por ser jovem, que sou bandida...

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Sessão autógrafos dia 08/10/2011, pelas 19:00h no «Espaço Compasso»

08.10.2011.SAB.19H00 
                                                                         





 A autora, Sara Bonvalle (Vera Lúcia Rocha Ribeiro Moreira),  a Papiro Editora e o Espaço Compasso, têm o prazer de convidar V. Exa. a estar presente na apresentação promocional e sessão de autógrafos dos seus livros, que terá lugar no dia 8 de Outubro de 2011, pelas 19h00, no Espaço Compasso, Rua da Torrinha, 111 Porto.
Sara Bonvalle

        Sara Bonvalle nasceu no Porto, a 12 de Janeiro de 1981. Aos 11 anos ganhou referência com o seu primeiro poema e aos 14 anos foi premiada pela Rádio de Gondomar, cidade onde cresceu e vive actualmente, com o prémio «Revelação Poética».
        Formou-se em Operações Bancárias, Administração, Contabilidade e Fiscalidade.
        Para além da literatura revela-se como artista na área da fotografia e, com a criação de uma academia de moda e teatro, muito tem contribuído para a formação e lançamento de outros talentos portugueses.
        Lançou o seu primeiro livro intitulado «Pedra Dura- A Consagração dos Dez Mandamentos » em Novembro de 2007 e em 2008 participou na antologia poética «De Luz e de Sombra», ambos da chancela da Papiro Editora. Em Dezembro de 2008 lançou «O Gravador da Morte» e em 2009 os livros «Matei a minha melhor amiga», «A ilha de Grhome» e «Passado recente». Com mais um livro na calha, «A Mar é possível», Sara Bonvalle dá mais um passo na sua promissora carreira como escritora nesta nova geração.

«Matei a minha melhor amiga»

O mausoléu começou a desmoronar-se e a cair, pedra por pedra, e o sonho deixou de ser nítido. Voltei a mim, à minha carne, e acordei.
Acordei passados vinte e um dias de um coma profundo, um coma que tinha durado dezassete anos, a minha idade. Doíam-me os músculos e sentia um formigueiro fugaz nos dedos dos pés.
O despertar foi estranho, senti que estava a deixar de ser um estereótipo do que era politicamente correcto, para integrar, à força, a classe da gente estranha a que chamavam de coitadinhos por tudo e por nada.
Percebi que era a parte que se retira do bolo por estar queimada.
Era, simplesmente, e contra tudo o que a palavra simplicidade possa significar, um homem em corpo de mulher. Um homem a quem o nome Joana não se enquadrava.
Sabia que a culpa nem era deles, mas da sequência de vida que todos levávamos desde a nascença.
O facto de ter sido parido cedo demais para expressar a minha identidade e ter estado até então dependente dos outros para comunicar, deixava-me em desvantagem social porque só agora, que eu demonstrava alguma autonomia, é que era capaz de desmascarar as falsas interpretações que o mundo à minha volta tinha feito a partir das explosões da minha fisionomia.
Identificaram-me e registaram-me inebriados pelo que viam, caindo em erro, porque tudo o que o meu corpo espelhava era uma miragem.
A velha de avental estava sentada na cadeira ao lado da cama do hospital e chorava, limpando de seguida as lágrimas ao forro da saia. Lamentava-se pela porcaria de vida que tinha.
Eu queria encostar a minha cabeça à sua barriga e ultrapassar a epiderme que a envolvia entrando novamente lá para dentro, para o útero.